Bio (São Paulo, Outubro 2025)
Desde criança, Hayyim faz art, como um território próprio de invenção. Aos oito anos, gravava fitas K7 com letras e histórias delirantes, organizava apresentações caseiras e obrigava a família a assistir a espetáculos que misturavam um tipo de teatralidade do Genesis da era Peter Gabriel com o humor musical de Tim Rescala.
O nome artístico, Hayyim, nasceu em um processo de iniciação, essa parte permanece em segredo.
Na adolescência, mergulhou em estudos formais de música em conservatórios e universidades, transitando pela música de concerto e pela experimentação sonora. Essa trajetória o levou a palcos de todo o Brasil e até da Inglaterra. Por volta de 2017, no entanto, decidiu abandonar aquela cena, não por imposição externa, mas por um chamado íntimo, consciente ou subconsciente, que o empurrou para uma nova fase criativa.
A sonoridade de Hayyim é marcada pelo diálogo entre diferentes vertentes da vanguarda e da canção. Suas composições evocam o espírito inventivo da cena paulistana de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, a poesia concreta de Arnaldo Antunes, a lírica de Lou Reed, a inventividade de David Byrne, a progressismo do King Crimson, ao mesmo tempo em que ressoam com o frescor de nomes contemporâneos como, Black Country, New Road e Geordie Greep.
Suas letras tratam do cotidiano, capturando aquele instante em que realidade e o absurdo das situações improváveis e impossíveis se confundem. É nesse contexto que Hayyim constrói sua identidade artística inquieta, híbrida e singular.
Seu primeiro álbum “Hayyim Fazendo Art” tem como fio condutor, em sua produção e composição, o conceito de “Montage”, comentado na faixa homônima. Inspirado sonoramente e esteticamente em “Discipline” (King Crimson, 1981), o trabalho dialoga ainda com a vanguarda paulistana dos anos oitenta. Em suas canções, Hayyim transforma episódios nada entediantes do cotidiano em arte, sempre com bom humor, energia e uma sonoridade visceral que prende o ouvinte no imaginário sonoro e poético.